Besouro

A história é a do negro capoerista que, no início do século XX, lutou pelos direitos dos negros no nordeste brasileiro, onde ainda eram tratados como escravos mesmo 40 anos após a abolição da escravatura. A atração era um chinês foda, responsável pelo filme Herói, que coreografa as cenas de luta - todo mundo deve ter visto o trailer, então todo mundo deve ter pensado, "caralho, como ninguém tinha pensado em fazer um filme de artes marciais com a capoeira!!". E, no fim das contas, o resultado é um filme bem legal, porém desapontador em alguns aspectos. Besouro é um capoerista jovem, talentoso e vaidoso que já começa fazendo besteira. Depois disso, passa uma parte do filme "se encontrando", até virar o cara que desafia o coronel. O primeiro problema, na minha opinião, é esse tempo todo que ele passa se encontrando. Nas poucas cenas em que a capoeira é usada como luta, ficamos no finalzinho do banco do cinema, pensando, "que maneiro!!"; mas logo o filme volta para a letargia, com  trilha sonora meio afro e belas - e lentas - imagens da natureza e do panteão dos deuses dos negros. Então, no fim das contas, o filme fica com capoeira de menos. Parece até que o chinês cobrava por hora e por isso as cenas de luta foram diminuídas. Mas é a principal crítica. O roteiro, portanto, segue essa lentidão: muito tempo pro Besouro se encontrar, encontrar a menina que gosta, encontrar os deuses, resolver fazer alguma coisa pelos seus semelhantes. E uma mísera cena de luta.
Outra coisa que ficou meio irritante. A história se passa no nordeste, certo? E por que é que só um ou dois dos personagens tinham sotaque nordestino, e o resto todinho falava com aquele sotaque paulista que conhecemos bem? Feio, vai. Mas isso é só implicância minha que sou linguista. Meu principal problema mesmo é a falta de porrada. 
De resto, os atores estão muito bem, especialmente o coronel, com sua dupla dinâmica, e a moça por quem o Besouro se apaixona. 
Quem sabe esse filme não é um início de filmes onde a capoeira tem papel dominante? 
Ou ninguém pensou ainda num capoeirista estilinho Jackie Chan correndo pelas ruas do Rio? Hein, hein?


Besouro (idem) - 2009
de João Daniel Tikhomiroff
com Aílton Carmo, Jessica Barbosa, Flávio Rocha

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Distrito 9

Na década de 80, uma nave aparece no céu de Johannesburgo. Quando os militares finalmetne entram nela, descobrem milhares de extraterrestres em condições precárias. O governo resolve realocá-los na cidade, mas como eles estão doentes e famintos, a área é militarizada, e em pouco tempo vira um antro de crime e miséria. 20 anos depois, a empresa responsável pelos ETs é pressionada pela sociedade para tirar os chamados prawns (termo pejorativo dos humanos referindo-se aos ETs) de dentro da cidade e enviá-los para um outro local cercado distante do centro. Wikus, o agente responsável pelo despejo dos prawns, é seguido por uma câmera em ritmo de documentário, e logo percebemos que o filme não vai ser aventura coisa nenhuma, estamos olhando para um drama muito bem construído. Quando Wikus recebe um jato escuro no rosto, quando está examinando o barraco de um prawn, a situação começa a complicar. Afinal de contas, tanto os humanos fabricantes de armas quanto as gangues criminosas dos negros que negociam com os prawns - transformando o tal Distrito 9, onde ficam os extraterrestres, numa verdadeira favela digna dos melhores noticiários brasileiros - estão interessadíssimos no DNA prawn, já que as armas avançadas dos ETs só podem ser utilizadas através do DNA deles.
Um filme muito interessante, com efeitos especiais fantásticos e uma trama original, esse Distrito 9 brinca com a tensão entre humanos e ETs só para mostrar a intolerância normal de todo  mundo, enquanto Wikus, o "herói", na verdade tem pouquíssimo de herói e muito do ser humano encurralado.
Muito legal.


Distrito 9 (District 9) - 2009
de Neill Blomkamp
com Sharlto Copley, Vanessa Haywood

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.:Cidade das Sombras:.


Estava ansiosa pra ver esse filme, já que foi baseado num livro de que gosto muito.
Mas foi desagradável ver que o principal mistério do livro é revelado na primeira cena do filme, e daí pra frente um livro infato-juvenil de suspense virou um filme infanto-juvenil de aventura...

Apesar disso as atuações são boas - com os atores mirins carismáticos e sem exageros, e os personagens adultos pouco caricatos.

A cidade de Ember está se desfazendo, e Doon e Lina, duas crianças, entram numa corrida contra o tempo para conseguir salvar os outros habitantes da cidade antes que tudo seja destruído.
Bill Murray está ótimo como o prefeito, e o velhinho que trabalha no gerador foi uma adição muito boa. 
Um filme de aventura correto, que deixa, no entanto, aquela sensação de 'poderia ter sido tão melhor...'.

NÃO VEJA SE NÃO LEU O LIVRO!
Leia o livro antes de ver o filme! É sério! Perde toda a graça!
Além disso, o livro é curto, barato e fácil de achar.

Cidade das Sombras (City of Ember) - 2008
de Gil Kenan
com Harry Treadaway, Saoirse Ronan, Bill Murray, Tim Robbins, Mackenzie Crook

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.:Bernard e Doris:.


Ralph Fiennes e Susan Sarandon dão show de interpretação nesse filme sensível e tranquilo.
Ela é Doris Duke, a excêntrica milionária americana; ele é Bernard Lafferty, seu mordomo irlandês.

O relacionamento dos dois, de início simplesmente o de patroa para empregado, tornou-se uma amizade para toda a vida.

Mesmo com as atuações primorosas, o roteiro faz algumas escolhas que eu achei bem equivocadas (como pular as viagens dos dois) que deixam o filme ainda mais lerdo.

Mas a segunda metade do filme é mais empolgante, e daí pra frente o drama se acnetua à medida em que os problemas de alcoolismo dos dois personagens aumenta, fazendo com que o filme seja um entretenimento decente dependendo do humor do assistinte.
Bonitinho.

Bernard e Doris (idem) - 2006
de Bob Balaban
com Ralph Fiennes, Susan Sarandon

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.:Jogo de Ladrões:.


Antonio Banderas e Morgan Freeman se divertem nesse 'heist movie' que nem sempre é bem sucedido.
As situações de 'nada é o que parece' até que são previsíveis, mas tanto faz, no fim das contas, porque o que queremos ver mesmo são os mestres em ação.
Os dois são ladrões renomados que se unem para roubar uma famosa loja de jóias, atrás de misteriosos Ovos Fabergé. 
O problema é o roteiro em si. Toda a operação do roubo parece impossível (verificação de digitais, voz e senha na entrada do cofre, lasers intransponíveis, porta inabrível, guardas do exército russo etc etc), e ficamos na expectativa de saber como 'nossos heróis' vão conseguir contornar tudo isso para chegar ao objeto que deve ser roubado. Mas quando isso acontece é tão inverossímil que nos espantamos de não ver o Banderas ficar vermelho de vergonha (tenho certeza de que o Freeman ficou, mas não aparece porque ele é negro).
Fora isso, e a Radha Mitchell tentando ser gostosa, o filme é divertido pelo duelo de atores. Mas como 'heist movie' deixa muito a desejar.
Prefira Nove Rainhas, Golpe de Mestre ou Onze Homens.

Jogo de Ladrões (The Code) - 2009
de Mimi Leder
com Antonio Banderas, Morgan Freeman, Radha Mitchell, Rade Serbedzija

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